17 de mar de 2016

BAIXA ESSA GUARDA, MULHER!




Eu sei que sofreu. Não posso dizer o tamanho da sua dor, mas eu sei que ainda dói. Seus olhos tentam passar uma força, mas quando me olham não conseguem fingir; e você se esforça para não chorar. No fundo, aí dentro do seu peito, você chora, grita, deixa a histeria sair. Por fora, você sorri. Ou tenta. Mas eu consigo ver que seu sorriso não é real. 

Não é querendo apagar tudo o que viveu, mas quando tu pensou que nada podia piorar, aí veio 2015 pra te provar que sim, a vida poderia ficar ainda mais difícil. Foi um ano sofrido, com muitas dificuldades, choro entre soluços no banheiro e seu melhor amigo foi o travesseiro, que por muitas vezes também enxugou as suas lágrimas que caíam antes de dormir. E agora 2015 já acabou mas você está aí, não é mesmo? Por mais que tenha passado por coisas que nunca imaginou você, de fato, passou por elas. E ao invés de um desconforto na hora da virada do ano, você devia ter erguido a taça da champanhe — e da vida — para comemorar, porque você sobreviveu ao ano mais louco de sua vida. 

É aquela velha — e clichê — história: o que não te mata, fortalece. E você com certeza ficou mais forte. Mas, para adquirir toda essa força, tu teve de carregar um fardo pesado. E tudo isso que levou sobre os ombros sozinha mudou você. Mudou seu modo de ver a vida, o modo de ver você mesma e até as pessoas ao seu redor. Quem antes você conseguia confiar um pouco para contar sobre si, hoje em dia já não é assim mais teu confidente, e isso talvez não seja exatamente culpa do outro ou sua. Você simplesmente não consegue mais falar. Você até abre a boca mas não sai nada, enquanto por dentro, você grita por ajuda. 

Você está na defensiva e com motivos, é claro. Quero que perceba que estar na defensiva é bom, porque mostra que você estará pronta para lutar e não irá deixar seu coração levar mais nenhum golpe. Mas estar na defensiva o tempo inteiro também pode te impedir de vivenciar coisas maravilhosas, justamente por essa sua guarda tão fechada. Uma vez eu li em um livro que "a dor é inevitável mas o sofrimento é opcional". É claro que dói e talvez suas feridas abertas demorem um pouco para cicatrizar mas você pode ir fazer um curativo e sofrer menos. 

Então, abaixa essa guarda, mulher! Se você me der um único motivo real eu lhe deixo em paz, mas me responda antes: viver no luto vai lhe trazer o que? 

Te deixo então algumas lições de casa: pratique seu verdadeiro sorriso; se olhe no espelho e veja além de seu rosto, veja a mulher que você deixou para trás em 2015 e resgate-a; veja mais o pôr do sol e perceba o incrível show que ele oferece e brilhe como ele; conheça gente nova; bagunce sua rotina — e até seu penteado — em busca de momentos divertidos; permita que se aproximem de você e permita ser amada; também se permita amar novamente.

E, se ainda assim você não conseguir abaixar a guarda para alguém, abaixe a guarda para você mesma. Pare de lutar consigo e com o mundo por coisas que, agora, já estão no passado. Deixe de se culpar por momentos que não estavam no seu controle e pare de temer o que os outros vão dizer dos teus atos. Não pare a sua vida por nada, nem ninguém. 

Ainda vai doer um pouco, meu bem, mas a dor não vai durar pra sempre. O Jogo da Vida só é fácil no tabuleiro. Mas na vida real mesmo ninguém nunca disse que seria fácil, mas também não precisa ser difícil para sempre.


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22 de fev de 2016

PROCURE UM AMOR QUE...


Procure um amor que seja diferente de todos que já viveu. Um amor que seja realmente verdadeiro, duradouro. Não que seja falso e passageiro. É necessário um que você se sinta a vontade ao lado desse amor, e que nada, nada venha lhe reprimir. Porque o amor verdadeiro é libertador e não opressor.

Procure um amor que não lhe arranque sorrisos. Sorrisos são pequenos gestos com sentidos tão grandiosos, com sentimentos belos que não merecem que sejam arrancados, como num assalto. Que seu sorriso seja fluido, como um rio, que corre em direção ao mar simplesmente pela maior vontade de se tornar um só.

Mas não, por favor, não procure um amor que lhe faça esquecer suas feridas. Procure um amor que as cure. E que nos olhos desse novo amor ainda desconhecido você encontre um lar, um lugar que faça com que você se sinta parte de algo. Que nesse novo amor você perceba que lhe querem como inquilina e, o melhor, você não pagaria aluguel! Porque o amor é assim: não requer nada em troca.

Procure um amor, mas não daqueles que apenas lhe queira bem. Procure um daqueles que lhe faça bem. Que não apenas faça planos, mas que também os realize. Que vocês se realizem. Juntos.

Procure um amor que não julgue estereótipos. Seja branco, preto, amarelo, roxo ou avatar. Colorido até, quem sabe. Mas que ele seja algo. Que exista. Ah, só um lembrete: não vai na onda de quem fala “os opostos se atraem”. Os opostos se atraem sim, mas não se completam.

Mas não sinta medo. O medo é um componente que só vai afastar e dividir esse amor: amor Ocidental e Amor Oriental, assim como a Alemanha.

E se esse amor que você tanto procurou estivesse perto de você o tempo todo? E se ele estivesse acenando, pulando, gritando, soltando fogos e mandando sinal de fumaça e você continuou à procura simplesmente por que pensou que não seria válido?

Lembre-se de também ser boa para o seu amor. Lembre-se de cuidar bem dele, não o deixe escapar. Ele pode estar em qualquer lugar e só você não viu. Não importa onde ele esteja, não importa onde irá encontrá-lo. Mas, prometa: você não sairá sem ele de lá.

O mais genial de tudo isso é que, na verdade, você não precisa procurar de fato. Acredite, ele arrumará um jeito de te encontrar. E quando isso acontecer, trate-o bem. Não importa como aconteça. Mas que aconteça.

Procure, na verdade, estar aberta. Aberta às opções, abertas às consequências e inovações. Aprenda a não se limitar e procure se expandir. Antes de procurar qualquer amor, procure saber primeiro se estará pronta quando ele chegar. Procure saber se no fundo você quer mesmo procurar.

E, em toda essa busca, encontre. Encontre o amor, encontre a felicidade. E encontre alguém que também queira te encontrar. Mas, acima de tudo, encontre a si mesma. Pois, de nada valeria se o amor te encontrasse, e você continuasse perdida. 

**Publicado no Superela.**
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18 de fev de 2016

POR QUE EU GOSTO TANTO DELA?


Porque ela apareceu-me como uma tempestade, talvez até um furacão. Era bela de se ver ao longe, mas de perto instigava perigo. E mesmo assim eu não me contive.

Ela era simples como entender os rabiscos de uma criança no papel, que insistia em chamar aquilo de arte. Mas, se lhe reparassem bem, poderiam apreciar-lhe como um quadro pintado por Dalí. E mesmo assim não me contive. Tive que chegar mais perto.

E, nessa aproximação, percebi: ela também era calmaria. Que soprava uma brisa suave quando passava e de seus lábios saiam gritos de silêncio que ninguém conseguia ver e entender. Mas eu vi. Eu entendi.

Vi que a ironia era sua maior companheira, mas talvez nem tão amiga assim. Entendi que ela era forte, muito mais do que aquela casa de tijolos que O Lobo Mau não conseguiu derrubar. Seu corpo era feito de rocha, ela era forte. Seu coração, de algodão. Então ela era fraca. E a ironia a atacava novamente. E mesmo assim eu não me contive.

Não me contive porque ela não conseguia se conter. Eu lhe via cada vez mais crescer e seu corpo parecia pequeno demais para segurar sua alma. Aposto que qualquer dia ela sairá voando por aí, ouvindo o barulho de suas asas e os batimentos acelerados de seu pobre miocárdio. Ela gostava dessa sensação de liberdade, e quem era eu para prendê-la? Não, ela não nasceu para viver em gaiolas…

Ela não precisou de máscaras nem de filtros no Instagram pra me conquistar. Ela só era… ela. E era disso que eu mais gostava.

Com ela eu descobri que era extremamente desnecessário mudar sua essência por uma outra pessoa. Era autêntica e não tinha medo dos burburinhos, assim como Romero Britto. E gostava de Los Hermanos. Mais uma prova de que ela não estava nem aí para os outros.

Meu conselho é: não se deixe levar por um amor — ou pela falta dele. Não finja que gosta de Game of Thrones só porque o outro gosta. Não seja da turma do suco verde só porque o cara é adepto a Whey.

Ter medo de ser quem você é, na verdade, apenas é uma maneira de mostrar o quanto é covarde. Sei que já houve vários momentos onde você foi julgada pela sua cor da pele, seu sexo, seu estilo e até mesmo suas ideologias. Mas, meu bem, essas são as coisas que te formam e não mostrá-las apenas sinaliza que você não gosta si mesma.

Talvez, apenas um pouco, uma mulher decidida pode ser amedrontador. Mas apenas porque ela acaba se tornando um desafio, um mistério.

E, no meio dessa multidão de mulheres que não maquiam apenas seus rostos, mas também seu coração, você seria destaque. Vá para a vida de cara limpa, sem disfarces. Sem maquiagem ou fantasia. Vá vestida de você. 

Acredite, será muito mais atraente quando souber o que quer e quem você é.

**Publicado no Superela.**
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1 de fev de 2016

PRA TE AMAR EU TENHO QUE SER TROUXA


Sabe quando bate aquele friozinho na barriga e quando você começa a sentir cãibras no rosto porque não pára de sorrir? É isso que você faz comigo, além de ignorar minhas mensagens, claro. Eu fico tendo aquela vontade de te resguardar, mas não por possessividade, mas sim como proteção. Mas parece que você quer mesmo é não ser cuidado por ninguém, ou ao menos, não por mim. 

Eu sempre me desdobrei para que você percebesse que meu áudio toda animada, perguntando como você tá, na verdade significa que com você eu tento ser mais animada para não parecer uma guria chata e mal-humorada. E lembra daquela vez em você falou sobre me dar um abraço tão forte de parar o tempo? Eu fiquei dando 'play' no áudio pelos próximos trinta dias e eu ficava aqui toda derretida ouvindo sua voz e imaginando como isso seria belo: só eu e você, envolvidos num abraço sem se preocupar com o tempo que passasse, porque na verdade, ele não passaria. 

Lembra do que fez um dia antes de eu ir te visitar? Passou a noite toda acordado, fazendo mapas da cidade numa xerox de um antigo trabalho da faculdade; desenhou as linhas de ônibus que eu deveria pegar e os principais pontos de referências para que eu não me perdesse na sua cidade. Como se não houvesse internet ou não existisse Google Maps. E cá estou eu, quatro meses depois, olhando para esses mapas que fiz questão de guardar. 

Eu lembro de tudo que você fez por mim, claro que lembro. Me lembro também das lágrimas, da tristeza e do desespero em pensar em perder você; lembro de todas as promessas que você quebrou. Afinal, você me prometia mundos e fundos e no fim, fiquei sem nada mesmo.

Posso citar aqui vários momentos em que eu fiz tudo para te agradar e você pareceu nem dar importância. Como no dia que eu paguei mega caro num ingresso pra assistir ao jogo do Atlético-PR (QUE NEM É O MEU TIME!) com você, como deixei de usar maquiagem só porque você disse que gostava mais de mulheres "ao natural", parei de xingar porque você achava feio. E quando eu falei que conseguiria ingressos daquele tão esperado show, na verdade estava te convidando pra ir comigo, mas pelo modo que disse, você parecia querer levar outra pessoa. 

Sabe, eu tenho sentimentos, eu sempre fui daquela linha de raciocínio: não faça com os outros o que você não gostaria que fizesse com você, mas nem todo mundo pensa a mesma coisa. 

Você pode até tentar "limpar a sua barra" com o argumento de que não me pediu para fazer nada, mas aí eu te digo que nunca me impediu também. Eu sempre fiz tudo de um jeito tão direto para que não houvesse dúvidas. Então, ou você é muito burro e não entende nada do que eu faço, ou — a mais provável das opções: eu sou trouxa.

Lembra daquela música do Raça Negra? Que fala naquele trecho, “você jogou fora o amor que eu te dei, o sonho que sonhei, isso não se faz...”, então foi exatamente isso que você fez. O que eu ganhei como premiação? Mais um troféu para minha coleção de trouxa. Mais uma vez e, obrigado, pensei que dessa vez eu não fosse ganhar. 

E bem que minha mãe me dizia: 
não pensa em relacionamento agora, a vida é dura, cê vai sofrer, e quem ouve a mãe? QUEM? Aí parece que eu falo para minha mãe: "não, mãe! Eu quero ser trouxa, EU QUERO, EU QUERO, EU QUEROOOOOOOOOOO!".

Mas mesmo assim, eu ainda penso em você e acredito que você possa melhorar e mudar e ficar tudo bem. Mas até lá eu não vou te responder no Whatsapp e muito menos te atender, vou me esforçar, na verdade. Porque o complicado é amar você, e o pior é que por você eu seria trouxa mais uma vez e mais uma vez, até um dia você perceber "essa pessoa é boa para mim", e aí quem sabe seremos felizes. Juntos.


**Texto feito em parceria com Eduardo Lemos, do Canal No Chão e colunista do site Superela.**
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